Vídeo caseiro pode ajudar no diagnóstico do autismo, diz estudo

De acordo com pesquisadores, o diagnóstico através de vídeo pode ser feito em questão de minutos com precisão de até 80%

O autismo é um distúrbio do desenvolvimento caracterizado por interesses restritos, comportamentos repetitivos e dificuldade de formar conexões sociais. (iStock/Getty Images)

Uma nova descoberta pode facilitar o diagnóstico do autismo, que atualmente é complexo e demanda tempo. Estudo publicado na Plos Medicine pode ter revelado uma forma mais rápida e eficiente de diagnosticar o distúrbio através de vídeos caseiros que mostrem as crianças interagindo em ambientes familiares. Isso porque, segundo os pesquisadores, o consultório médico provoca comportamento atípico nas crianças, o que pode interferir na identificação do transtorno. Já quando observadas em locais aos quais estão habituadas  – mesmo que não seja presencial – o diagnóstico pode acontecer mais facilmente, pois os comportamentos exibidos são costumam ser naturais.

A descoberta é extramente importante já que pesquisas anteriores revelaram que terapias comportamentais para o autismo funcionam melhor quando iniciadas antes dos 5 anos. No entanto, pela dificuldade dos médicos em identificarem os traços necessários para confirmar o diagnóstico, além de algumas famílias precisarem enfrentar longas filas para receber o encaminhamento para o especialista, o tratamento pode acabar sendo adiado. Para os pesquisadores, a utilização dos vídeos pode acelerar o processo de diagnóstico com garantia de até 80% de precisão, permitindo que a terapia comece o mais breve possível.

Além disso, a equipe revelou que, por envolver mecanismos consideravelmente simples, os vídeos podem ser usados por pediatras não especializados durante as consultas para observar comportamentos incomuns; essas observações seriam colocadas no prontuário para monitoramento. No caso de a criança apresentar traços suficientes do Transtorno do Espectro Autista (TEA), o médico pode se sentir confiante para fazer o diagnóstico ou encaminhar o paciente para um especialista que possa confirmar a suspeita.

Método de observação

O primeiro passo para diagnosticar o autismo é identificar os sintomas. Para fazer isso, a equipe da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, utilizou uma máquina para determinar quais características do comportamento infantil deveriam ser classificadas como pertencentes ao autismo.

Para diminuir a lista de sintomas, os cientistas utilizaram computadores para definir cinco a 12 traços mais relevantes para o diagnóstico. Eles também criaram um algoritmo capaz de estabelecer um pontuação para cada característica do autismo; esses pontos seriam somados a cada traço identificado e ao final a criança teria uma pontuação própria que a aproximaria ou afastaria do diagnóstico de TEA, além de ajudar a classificar a gravidade do distúrbio.

Recrutamento

Através das redes sociais, os pesquisadores recrutaram famílias com crianças autistas e sem o transtorno, pedindo que enviassem vídeos caseiros dos filhos. A triagem considerou critérios como aparecer o rosto e as mãos da criança, mostrar interação social direta ou vídeos em que elas brincavam com objetos. A equipe ficou com 162 vídeos (com duração de 1 a 5 minutos). Destes vídeos, 116 eram de crianças com autismo e 46 de crianças com desenvolvimento normal. A média de idade para o primeiro grupo era de 4 anos e 10 meses; no segundo, 2 anos e 11 meses.

Avaliadores

Os pesquisadores selecionaram nove avaliadores responsáveis por assistir os vídeos, e identificar comportamentos específicos através de questionários com 30 perguntas objetivas (sim ou não) que ajudariam a diagnosticar o autismo. Cada um deles recebeu instruções simples de como a avaliação deveria ser feita, considerando comportamentos como linguagem expressiva (verbal ou não-verbal), expressar emoções, fazer contato visual e chamar atenção para objetos.

Depois que cada participante avaliou 50 vídeos, os cientistas determinaram que três avaliadores era o número mínimo necessário para gerar uma pontuação confiável. Os vídeos restantes foram distribuídos aleatoriamente para os avaliadores, de forma que pelo menos três deles analisassem o mesmo vídeo.

Diagnóstico rápido e eficiente

De acordo com os pesquisadores, cada avaliador levou em média quatro minutos para assistir e identificar os comportamentos. A identificação da presença ou ausência do autismo teve uma média de 88,9% de precisão, incluindo uma rotulação correta de 94,5% de crianças autistas e 77,4% de crianças sem autismo. Para confirmar os achados, os pesquisadores repetiram o experimento com mais 66 vídeos – 33 de crianças autistas e 33 crianças que não tinham autismo. A identificação correta chegou a 87,8% para o autismo e 72,7% para desenvolvimento normal.

“Nós mostramos ser possível identificar um pequeno conjunto de características comportamentais com alto resultado clínico. Até não especialistas [em autismo] podem fazer a avaliação em um ambiente online em questão de minutos”, disse Dennis Wall, principal autor do estudo, em nota. Para ele, esse novo modelo de diagnóstico poderia ajudar a identificar o autismo mesmo em crianças mais novas – faixa etária em que o diagnóstico é ainda mais complexo. Por ser rápido, o recurso poderia até mesmo ser utilizado durante consultas de rotina. 

 Apesar de representar uma esperança para as famílias, os pesquisadores ressaltam que mais estudos são necessários para confirmar a eficiência do método em outras populações.

FONTE: Veja

ANS apresenta nova regra de reajuste de planos de saúde no Senado

Em audiência pública no Senado Federal, o coordenador da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Bruno Morestrello, apresentou a nova regra para o reajuste de planos de saúde individuais e familiares. Ele, porém, não disse qual será o índice que será aplicado a partir de maio do ano que vem. Esvaziada, a sessão foi realizada nesta quarta-feira (28), na Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

A nova regra, que leva em consideração despesas e a inflação, será implantada a partir de maio de 2019. A base de cálculo é a variação das despesas de assistência, ou seja, os gastos com exames, tratamentos, cirurgias e consultas dos beneficiários. Esse índice pesa 80% na fórmula usada pela agência.

Nesse cálculo, a agência analisa três elementos. De acordo com o coordenador da área que elaborou a fórmula de reajuste, o primeiro é a variação da despesa assistencial da carteira de planos individuais das operadoras. "No modelo atual, usamos a média dos reajustes aplicados nos contratos coletivos. A proposta é passar a observar diretamente as informações da carteira de planos individuais", disse Morestrello.

O segundo é a variação das mensalidades já prevista de acordo com a faixa etária. Além disso, há uma espécie de moderador de eficiência, índice mensurado pelos gastos das operadoras. A ANS também incluiu na regra a inflação IPCA, mas retirou os gastos com saúde porque já foram contemplados nas despesas da assistência. A variação IPCA terá peso de 20%.

A falta de informação sobre o porcentual de reajuste é criticada pela advogada do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Ana Carolina Navarette. "Sem simulação, fica muito difícil para pessoas entenderem o que é que está sendo falado", disse. A pesquisadora em saúde do instituto frisou que "se não é possível fazer simulações para o futuro, ela (ANS) deveria ter apresentado simulações para o passado", completou.

Durante a apresentação, Morestrello afirmou que, após a aplicação da metodologia, os dados da agência serão auditados, o que dará mais transparência ao processo. Atualmente, o reajuste é feito com base na média do aumento nos planos coletivos com mais de 30 vidas.

A ANS anunciou nova regra após publicação de relatório de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU). O documento descobriu irregularidades no reajuste praticado atualmente. A autarquia identificou que a fórmula de cálculo da agência tem falhas, duplicidades e não tem sistema para impedir abusos.

FONTE: OUL Economia 

Justiça condena Santa Casa e plano de saúde por negarem internação a paciente

Entidade e plano agiram sob o argumento de que estava em vigência o período de carência

Autores da ação terão de pagar R$ 48.493,35, referente às despesas de tratamento e internação (Alexsander Ferraz/AT)

“Dar cobertura ambulatorial, em caso de urgência ou emergência, e negar a continuação do tratamento exigido pela urgência ou emergência, em internação hospitalar, viola de morte o equilíbrio contratual, tratando-se de interpretação juridicamente esdrúxula, similar à iniquidade”.

A fundamentação é do juiz José Wilson Gonçalves, da 5ª Vara Cível de Santos, ao condenar solidariamente, por dano moral, a Santa Casa de Santos e a operadora do plano de saúde vinculado ao hospital. Elas negaram internação a uma conveniada, sob o argumento de que estava em vigência o período de carência. Pela decisão, as rés devem indenizar no valor total de R$ 10 mil uma mulher de 69 anos e o filho dela, de 45.

A sentença também declarou inexigível aos autores da ação o pagamento da quantia de R$ 48.493,35, referente às despesas de tratamento e internação. Cabe recurso da decisão, mas a Santa Casa e a operadora do plano de saúde, por meio de suas assessorias de imprensa, disseram que não se manifestam sobre processos judiciais em andamento.

Entenda o caso

Titular do plano de saúde, a mulher sentiu fortes dores abdominais no dia 11 de janeiro deste ano, recorrendo ao plano de saúde. Exames laboratoriais diagnosticaram ascite e dispneia, sob a classificação de “risco muito urgente”. Havia necessidade de internação, mas ela foi negada sob o argumento do período de carência.

A hospitalização só ocorreu após o filho da paciente assinar termo se responsabilizando pelo pagamento das despesas. A titular do plano recebeu alta 11 dias depois. 

Em 21 de fevereiro, o avalista da internação recebeu a fatura da Santa Casa no valor de R$ 48.493,35. Considerando que a cobrança, além de incabível, gerou dano moral, ele e a mãe ajuizaram ação contra o plano de saúde e o hospital.

 

O titular da 5ª Vara Cível de Santos citou em sua decisão a Súmula 597 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), aprovada em 8 de novembro do ano passado. De acordo com ela, “a cláusula contratual de plano de saúde que prevê carência para utilização dos serviços de assistência médica nas situações de emergência ou de urgência é considerada abusiva se ultrapassado o prazo máximo de 24 horas contado da data da contratação”.

FONTE: A Tribuna

 

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