Campinas veta entrada de acompanhantes para crianças autistas em escolas municipais

Profissionais estão sendo impedidos de acompanhar alunos autistas da rede municipal. Secretária diz que comunicado foi mal interpretado e que nada mudou, mas pais contestam.

A Secretaria de Educação de Campinas (SP) está vetando a presença de psicólogos, terapeutas ocupacionais e pedagogos clínicos para orientação e acompanhamento de alunos autistas nas salas de aula das escolas da rede municipal.

A situação preocupa Andreia Barbosa, que tem um filho de 5 anos que foi diagnosticado com autismo aos 3. Ela entrou a justiça para garantir o direito de que o filho tivesse acompanhamento psicológico pago pelo convênio médico dentro da escola, além dos cuidadores da rede.

Segundo ela, a psicóloga foi impedida de entrar na escola na quinta-feira da semana passada (11), um dia depois da divulgação do comunicado da Secretaria de Educação. O documento informa que que nenhum profissional externo está autorizado a entrar nas dependências das escolas municipais.

Secretária diz que nada mudou

A secretária de educação, Solange Villon, afirma que o material foi mal interpretado e que não foi publicado na íntegra nas redes sociais.

"Eles podem entrar na nossas escolas, como eles entram, continua a mesma coisa, não mudou nada. Nós tivemos alguns casos que eles queriam aplicar o trabalho pedagógico deles, é isso que não pode", esclarece.

Comunicado da Secretaria de Educação diz que profissionais externos não poderão entrar em escolas da rede municipal de Campinas (SP) — Foto: Reprodução/EPTV

Ela diz ainda que a presença de diferentes profissionais em sala de aula podem atrapalhar o trabalho, portanto, apesar de o profissional realizar um trabalho específico para aquele aluno, deve ser em comum acordo com os profissionais da escola. Ressalta ainda que a rede possui suporte para atender aos alunos com necessidades especiais.

"Nós temos o professor de educação especial, temos professores bilíngues, temos intérprete de libras, temos professor apoiador e temos os cuidadores. Nós iniciamos com 90 cuidadores em 2015, que era a necessidade da época, e hoje nós estamos com 220", explica.

Segundo a pasta, atualmente a rede municipal possui 1.234 alunos com necessidades especiais.

Pais contestam versão da pasta

Apesar disso, a Sueli Rampazo não concorda: ela conseguiu acompanhamento psicológico na escola para a filha de 7 anos, que também tem autismo, mas a escola no Jardim Cristina não permitiu a entrada do profissional.

"Só tem os professores mesmo, mas professor é professor. Ela precisa de psicólogo pra poder acompanha-la na escola pra que ela possa desenvolver melhor nos estudos. [...] Ela não tá mais querendo ir pra escola", desabafa.

Falta de acompanhamento pode ser prejudicial

A psicóloga Renata Coradi Leme explica que o acompanhamento de fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicólogos é fundamental para promover a interação social dos autistas, e que proibir a entrada dos profissionais pode prejudicar o desenvolvimento dos alunos.

"As pesquisas apontam que essa intervenção precoce e essa intervenção planejada, programada, ela traz muitas mudanças no prognóstico da criança autista a ponto de a gente avaliar daqui uns anos e a gente perceber outra criança", explica.

FONTE: G1

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