Planos de saúde discutem cobrança por consulta remota

Regulamentação de teleatendimento deve aumentar consultas remotas em planos de saúde Foto: Pixabay

O atendimento médico à distância deve se tornar uma prática bastante comum nos planos de saúde com a edição da resolução pelo Conselho Federal de Medicina (2.227/18), que define regras para telemedicina e teleatendimento. Esse tipo de atendimento já vinha sendo adotado, há cerca de três anos, por operadoras que mantêm programas de atenção primária, como médico de família. E um dos resultados apurados é a redução de 30% das idas ao pronto-socorro entre os usuários com acesso a esse serviço, segundo a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge

Cadri Massuda, presidente da Abramge PR-SC e do sindicato do setor, diz que uma discussão em curso é sobre o pagamento desse atendimento.

— Estamos discutindo, por exemplo, se nos planos em que há coparticipação por consulta haveria cobrança por esse atendimento, se seria o mesmo valor. Mas, o mais importante, é o respaldo que a resolução traz para essa atividade, deixando claras as condições para o atendimento à distância, a necessidade de segurança e sigilo para armazenamento de dados — afirma Massuda.

Ele ressaltou os custos desse sistema:

— Trata-se de uma estrutura cara que deverá ser mais utilizada por grandes empresas, mas que possibilitará, por exemplo, um melhor acompanhamento de doentes crônicos.

A SulAmérica, que já dispunha teleatendimento, lançou, nesta segunda-feira, um serviço de teleorientação pediátrica que poderá ser usado por 93 mil beneficiários da empresa até 12 anos de idade.

A consulta será realizada por vídeo e não terá custo adicional para o segurado. Erika Fuga, diretora da seguradora, diz que o serviço pode ser ampliado para outras especialidades.

— Os primeiros números, apesar de não muito significativos pelo volume de atendimento, mostra que 85% dos casos foram resolvidos no atendimento à distância. Mantemos um monitoramento nas primeiras 48 horas para saber do desfecho daquele paciente e acompanhamos por 30 dias nossa base de dados para saber se foi necessário ir ao pronto socorro ou algum outro atendimento para entender se o resultado daquela consulta remota foi satisfatório — explica Erika.

Ela acrescenta que a empresa já realizava outros tipos de atendimento desse tipo, sendo que no programa de atenção primária a redução de idas ao pronto-socorro chega ha 95% entre a população atendida.

Serviço não pode ser imposto ao usuário

Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da Federação Nacional da Saúde Suplementar (FenaSaúde), pondera que o atendimento remoto já é uma realidade em outros países e que é uma demanda dos próprios consumidores em busca de praticidade. Ela chama atenção para o fato de que o teleatendimento melhora a prestação de serviço e reduz o desperdício.

— Cria-se uma etapa a mais de atendimento, mas com orientação e indicação correta, o que se tem é melhor promoção de saúde e redução de desperdícios, que pode diminuir a pressão sobre os custos dos planos de saúde — avalia.

O atendimento à distância pode ser uma opção aos usuários da saúde suplementar, mas não uma imposição, chama atenção Ana Carolina Navarrete, pesquisadora em saúde do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec):

— O consumidor tem que ser informado de como funciona o serviço, de que seus dados serão compartilhados com aquele médico e os profissionais de saúde e deve dar seu consentimento para o uso do serviço. Essa não pode ser uma prática imposta e nem ser uma forma de dificultar o atendimento presencial que é sempre aquele mais recomendado em qualquer situação.

 Para o advogado Vinicius Zwarg, especialista em direito para área de saúde e sócio do escritório Emerenciano, Baggio e Associados, o atendimento a distância é algo inevitável, mas que necessitará de um acompanhamento próximo para que os problemas que aparecerem sejam rapidamente resolvidos.

Fonte: EXTRA 

 

Médicos brasileiros poderão oferecer consultas e cirurgias a distância

Nova resolução, que entra em vigor em maio, cria regras para atendimentos online, como a necessidade do 1º contato presencial

Médicos poderão realizar consultas, diagnósticos e outros atendimentos a distância, por meio da internet, a partir deste ano.

Uma nova resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina) sobre telemedicina está prevista para ser publicada nesta semana. A norma entrará em vigor em maio.

Até então, a única exceção era quando médicos realizavam contato —em videoconferência, por exemplo— com colegas especialistas em outros locais durante os procedimentos, em uma espécie de segunda opinião.

Agora, resolução do conselho prevê que esse tipo de atendimento online possa ser realizado também entre médicos e pacientes que já tiveram ao menos uma consulta prévia anterior.

 

Alguns hospitais já usavam a telemedicina de forma experimental — um projeto no Hospital de Câncer de Barretos, no interior paulista, usou fotos enviadas por e-mail para facilitar o diagnóstico de câncer de pele, um grupo da Unifesp realizou a detecção de problemas na retina e de glaucoma com a ajuda de fotos.

Central de atendimento remoto na sede do programa, também em Porto Alegre /Marcos Nagelstein/Folhapress

Para o conselho, a medida representa um novo marco no exercício da medicina. “O paciente podia tirar alguma dúvida por WhatsApp, mas não existia a possibilidade de consulta”, afirma o relator da norma, Aldemir Soares.

O atendimento virtual, porém, deve obedecer a alguns critérios. A primeira consulta deve sempre ocorrer de forma presencial. “Mas quando o paciente vai só para mostrar exames ou se já tem histórico de atendimento, ele poderá fazer isso a distância”, diz.

A exceção são comunidades remotas, como áreas próximas a florestas, em que o primeiro atendimento também pode ser virtual. Para isso, o paciente precisa estar acompanhado de outro profissional de saúde.

No caso de atendimentos longos ou de pacientes com doenças crônicas, a norma prevê ainda que haja ao menos uma consulta presencial a cada quatro meses.

Profissionais deverão manter ainda arquivos de cada atendimento prestado a distância, em uma espécie de prontuário médico virtual. A gravação deve ser autorizada pelo paciente —caso não haja consentimento, a teleconsulta não poderá ser realizada.

Outra exigência é que o médico mantenha o sigilo dos atendimentos.

Caso o profissional verifique que há risco de diagnóstico de doença grave, a consulta pode ser interrompida para avaliação presencial. “Caberá aos médicos verificar seus limites para atuar desse jeito, além dos limites de cada caso”, afirma Soares.

O documento do CFM estabelece ainda critérios para a realização de outros atendimentos, caso do telediagnóstico e da telecirurgia.

O primeiro prevê que médicos avaliem exames e elaborem laudos a distância, desde que haja um profissional de saúde do outro lado para ajudar o paciente e equipamentos específicos.

Já o segundo prevê que os médicos conduzam cirurgias com uso de robôs e outras tecnologias. Neste caso, o paciente deve ser acompanhado por um médico especialista do outro lado para evitar problemas e falhas de assistência —em casos de queda de energia, por exemplo.

Para Soares, a resolução visa garantir a segurança desses procedimentos.

De acordo com o CFM, enquanto os exames a distância têm se tornado mais comuns, especialmente no caso da radiologia, ainda há poucos registros de telecirurgias no Brasil. 

“Vemos que está aumentando o uso de robôs para cirurgia. Com o médico no local, temos a garantia de que a cirurgia irá até o final caso haja alguma intercorrência”, diz.

Ao mesmo tempo em que representa uma abertura para uma atuação na era digital, a possibilidade de oferecer consultas e outros atendimento a distância tem sido alvo de preocupação entre grupos de médicos nas redes sociais.

O pontapé para o debate veio de anúncios, na internet, de serviços de consulta virtual ou “teleorientação” oferecidos por alguns hospitais.

O temor é que esse tipo de atendimento, por não envolver o exame físico, possa levar a avaliações equivocadas ou atrasar diagnósticos.

A situação levou o próprio CFM a divulgar uma nota nesta semana em que afirma que o exame presencial “é a forma eficaz e segura de se realizar o diagnóstico e tratamento de doenças”.

Questionado se a nova norma não contraria a posição recente do próprio conselho e do Código de Ética Médica, o qual veda procedimentos sem exame direto do paciente, Soares nega.

“O código já previa que a telemedicina fosse regulamentada”, afirma. “Precisávamos disciplinar como funciona, senão cada um montaria do seu jeito, e aí o perigo seria maior.” 

Ele diz que a medida deve ser aplicada em casos específicos. “A consulta presencial, com exame físico completo, ainda é o fundamental da medicina”, diz. “Uma dificuldade de trânsito, por exemplo, não justifica montar uma consulta virtual para isso.”

Ainda de acordo com Soares, casos de violação às normas podem ser denunciados aos conselhos regionais de medicina.

Para o presidente do CFM, Carlos Vital, a nova resolução deve facilitar atendimentos no SUS, sobretudo em regiões remotas e onde há dificuldade em atrair profissionais.

Hoje, ao menos dez estados já possuem atendimentos de telediagnóstico no SUS, segundo o Ministério da Saúde. As ações fazem parte do programa Telessaúde, iniciado em 2007.

As teleconsultorias têm sido usadas no Rio Grande do Sul como forma de aumentar a efetividade da atenção primária e reduzir as filas de espera por especialistas no SUS.

Entenda o atendimento  médico a distância

Como era até então

Telemedicina era realizada apenas entre médicos, como uma segunda opinião. Alguns hospitais universitários já usavam a modalidade, mas em caráter experimental

O que muda

- Nova resolução define a prática de teleconsulta e estabelece regras, como necessidade de que o primeiro atendimento seja presencial. Estabelece ainda intervalo de no máximo quatro meses para consultas presenciais —no caso de pacientes crônicos, por exemplo.

- Também prevê que atendimento seja gravado e armazenado seguindo critérios, com proteção garantida para sigilo. Caso paciente não concorde com a gravação, consulta não pode ser realizada

- Caso o médico prescreva exames e medicamentos, documento deve conter dados de identificação, registro de data e hora e assinatura digital do médico

- Na telecirurgia, os procedimentos devem ocorrer em espaços com infraestrutura, com médico que opere equipamento robótico e outro que acompanhe o paciente no local

Glossário da telemedicina

Telemedicina

Termo usado para definir o exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde

Teleconsulta

É a consulta médica mediada por tecnologias, com médico e paciente em diferentes locais

Teleinterconsulta

Ocorre quando há troca de informações e opiniões entre médicos para auxílio diagnóstico ou terapêutico, clínico ou cirúrgico

Telediagnóstico

Consiste na emissão de laudo ou parecer de exames pela internet 

Telecirurgia

É um procedimento feito por um robô ou outra tecnologia manipulada por um médico que está em outro local, desde que com presença de outro médico, com a mesma habilitação do cirurgião remoto, que possa atuar no caso de intercorrências

Teleconferência cirúrgica

Feita por videotransmissão, é permitida desde que o grupo receptor das imagens, dados e áudios seja formado por médicos

Teletriagem médica

Ocorre quando o médico faz uma avaliação, a distância, dos sintomas para a definição e direcionamento do paciente ao tipo adequado de assistência necessária

Telemonitoramento

Permite que um médico avalie a distância as condições de saúde dos pacientes. Pode ser usada em casas de repouso para idosos ou em comunidades terapêuticas

Teleorientação

Preenchimento a distância, pelo médico, de declaração de saúde para a contratação ou adesão a um plano de saúde

Teleconsultoria

Permite troca de informações entre médicos, gestores e profissionais de saúde sobre procedimentos e ações de saúde

 

Fontes: Resolução 1.643/2002 e resolução 2.227/2018

FONTE: Folha de São Paulo

Duas novas cepas de rotavírus circulam no país, aponta estudo

Nova cepa, que se espalhou pelo país, recebeu material genético de vírus de equinos

Desde 2006, a atual geração de vacinas tem dado conta de prevenir a maior parte dos casos de rotavírus em humanos, que causa vômitos, cólicas, diarreia e é responsável por 40% das internações hospitalares de crianças no Brasil. 

No entanto, um sinal amarelo foi aceso com a identificação de duas novas no país, de acordo com um novo estudo.

O trabalho, publicado na revista científica Journal of General Virology e que envolveu pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz (IAL) e do Instituto de Medicina Tropical da USP, mostrou que uma cepa que mistura material genético de vírus equino com vírus humano é hoje a mais comum nas análises que chegam ao IAL, que analisa material do Centro-Oeste, Sul e parte do Sudeste.

Esse rotavírus equino-humano apareceu pela primeira vez no país em 2015. Em 2017, já correspondia a 80% de todas as amostras positivas para rotavírus.

Imagem de microscopia eletrônica de rotavírus, que causa inflamação do estômago e dos intestinos - CDC

Esse tipo de combinação das partes entre as cepas que infectam animais diferentes não é tão rara, afirma a pesquisadora Adriana Luchs, do Adolfo Lutz. Só que geralmente os vírus resultantes dessas combinações acabam num beco sem saída, infecciosamente falando —eles até conseguem infectar mamíferos ou aves, mas não conseguem ir adiante e infectar outro animal.

A explicação aventada pelos cientistas é que o rotavírus equino-humano teria se propagado pelo país a partir de Foz do Iguaçu, onde foi encontrado pela primeira vez em março de 2015 numa garota de dez anos que não havia sido vacinada. Desde então, o vírus circulou no Paraná até maio de 2016 até se espalhar por outros estados.

A pesquisa de Luchs e colaboradores, apoiada pela Fapesp, também identificou um outro vírus, o DS-1-like G1P[8], que só havia sido encontrado na Ásia. Essa cepa provavelmente teria chegado a bordo de alguém que veio daquele continente.

Apesar de ter sido um achado pontual, em 2013, ele tem importância: é justamente a partir da cepa G1P[8] que foi formulada a primeira vacina contra o rotavírus (da farmacêutica MSD). E ela tem funcionado bem contra todos os parentes que tem esse sobrenome P[8] (que, na verdade, identifica uma das proteínas presentes na superfície do vírus), explica Luchs.

Uma emergência desse subtipo poderia indicar que a vacina está deixando de fazer efeito —o que, no momento, é apenas especulação. De todo modo, ressaltam os cientistas, é melhor ficar atento e manter o monitoramento a todo vapor. 

A transmissão do rotavírus se dá geralmente pela via fecal-oral, ou seja, uma grande quantidade de vírus é dispersada pelas fezes (cerca de 10 bilhões de partículas virais por grama, mais precisamente). Resistentes, os vírus aguardam no ambiente até que surja uma nova oportunidade para infectar algum outro animal, reiniciando o ciclo. 

FONTE: F. de São Paulo

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