Atendimento para pessoas com autismo é difícil e caro, no Rio

Embora prefeitura garanta ofertar serviços, gastos com tratamentos e educação podem chegar a R$ 9 mil mensais

Obra Social Dona Meca, na Zona Oeste do Rio: instituição filantrópica atravessa graves problemas financeiros Foto: Bruno Poppe / Agência O Globo/4-6-2014

Além disso, a única instituição filantrópica a também oferecer atendimento especializado a crianças autistas de forma gratuita na cidade — a Obra Social Dona Meca, na Taquara, Zona Oeste — atravessa graves problemas financeiros como a cearense Casa da Esperança, sendo obrigada a recusar novas inscrições. Diante deste quadro, os gastos com tratamentos e educação de um filho autista no Rio podem chegar a R$ 9 mil mensais, aponta Denise Aragão, fundadora e integrante da Fundação Mundo Azul, criada em 2011 para promover a conscientização sobre o autismo no país.

Além disso, a única instituição filantrópica a também oferecer atendimento especializado a crianças autistas de forma gratuita na cidade — a Obra Social Dona Meca, na Taquara, Zona Oeste — atravessa graves problemas financeiros como a cearense Casa da Esperança, sendo obrigada a recusar novas inscrições. Diante deste quadro, os gastos com tratamentos e educação de um filho autista no Rio podem chegar a R$ 9 mil mensais, aponta Denise Aragão, fundadora e integrante da Fundação Mundo Azul, criada em 2011 para promover a conscientização sobre o autismo no país.

— Apesar de a incidência do autismo estar aumentando, por razões que a ciência ainda busca uma explicação, não vemos uma elevação da oferta de atendimento especializado para esta população, num problema que não é específico do Rio, mas de todo Brasil — diz Denise, que ressalva não ter buscado assistência para o filho João Pedro, hoje com 15 anos, na rede pública da cidade:

— O autismo não é um transtorno único, cada caso é um caso, e por isso gosto de falar em “autismos”, mas no geral a criança precisa de intervenções de forma intensiva e, mais que multidisciplinar, transdisciplinar, com várias terapias e especialidades interligadas. E tudo isso onera muito. Fica bem caro para a família, infelizmente, numa ordem de grandeza que vai a partir de R$ 3 mil mensais e pode chegar a R$ 9 mil, sem contar com outros gastos como os de uma criança típica, como mensalidades escolares, alimentação, transporte, roupas etc.

É o caso da servidora pública federal Roberta Vasconcelos, cujo filho Marcelo, de 8 anos, é o que ela chama de “autista clássico”, que não fala e praticamente não interage com outras pessoas, e com quem, entre tratamentos, remédios e os serviços de uma mediadora escolar, gasta por volta de R$ 5 mil mensais, mesmo com reembolsos parciais pelo seu plano de saúde.

oberta conta que, de início, buscou assistência num dos Centros de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi) mantidos pela Secretaria Municipal de Saúde em Botafogo, Zona Sul. Segundo Roberta, apesar do “ambiente superagradável”, o CAPSi só oferecia atendimento para crianças autistas da idade de Marcelo uma vez por semana, e de forma não especializada.

— Ele ficava com um estagiário de psicologia e percebi que ninguém fazia nada com ele, que não tinha um atendimento específico ou linha terapêutica definida — lembra. — Vi que não estava adiantando nada e acabou que desisti de ficar levando ele para lá.

Outra tentativa de Roberta de conseguir ajuda da rede pública para o filho veio quando ela o matriculou no 1º ano do ensino fundamental na Escola Municipal Conselheiro Mayrink, na Tijuca, Zona Norte do Rio, em 2017. Então, ela foi encaminhada para Centro Municipal de Referência da Pessoa com Deficiência de Vila Isabel, da Subsecretaria da Pessoa com Deficiência da Prefeitura do Rio, onde Marcelo passou por nova avaliação e indicado para tratamento de fonoaudiologia, bem como aconselhado a realizar atividades físicas, de terapia ocupacional e com música.

— Mas lá também não podiam oferecer nada imediatamente, pois não tinham vagas e muitos destes serviços estavam sendo descontinuados — recorda.

or fim, apesar de a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) — aprovada em 2016 e em vigor desde 2017 — determinar que tanto escolas públicas quanto particulares devem fornecer serviços de um mediador e atendimento especializado a crianças autistas sem custos extras para as famílias, Roberta conta que paga do próprio bolso uma mediadora para Marcelo, hoje cursando o 3º ano do ensino fundamental, desde seu ingresso na instituição, para qual não poupa elogios.

— Marcelo tem dificuldades muito especificas de comportamento, mas a escola está trabalhando muito bem no seu processo de inclusão, com uma professora de recurso dando um atendimento individualizado do conteúdo — comemora. — Ele não é uma criança que evolui muito rápido, não sabe escrever e nem sabemos se consegue ler, mas está muito tranquilo na escola, bem acolhido e ambientado. Sinto que ele é de fato visto como um aluno, e não um fardo, e que não estaria melhor em outro lugar.

Assessora de infância e adolescência da Superintendência de Saúde Mental da SMS, Anamaria Lambert estranhou as dificuldades relatadas por Roberta. Segundo ela, em casos assim os pais devem buscar o sistema de atenção primária da prefeitura, como as clínicas da família e os postos de saúde municipais para então serem encaminhados aos serviços especializados, que podem ser fornecidos tanto em um dos CAPSi quanto em centros de reabilitação e pontos de atenção básica de saúde, entre outras estruturas.

— A disponibilidade dos serviços que a prefeitura oferece, seja atendimento psicológico, psicopedagógico, terapia ocupacional, musicoterapia, psiquiatria, fonoaudiologia e outros, é suficiente para atender a demanda — garante. — Qualquer dificuldade os pais devem procurar os serviços de atenção primária, onde os profissionais conhecem bem o sistema e podem encaminhar a criança para o atendimento necessário de acordo com um projeto terapêutico específico para ela após avaliação.

Para os pais que não têm condições financeiras de arcar com as despesas para tratamento de um filho autista, esta é de fato a única opção disponível atualmente no Rio, já que o único outro serviço especializado gratuito na área na cidade encontrado pela reportagem, oferecido pela Obra Social Dona Meca, não está aceitando novas crianças devido a uma crise financeira.

Presidente da instituição filantrópica, Rosângela Chacon Pereira conta que as dificuldades advêm do cancelamento ou descontinuidade de alguns dos patrocínios que ela tinha, o que obrigou num corte não só da quantidade de crianças atendidas, de 290 no ano passado para 180 este ano, das quais cerca de 60 autistas – as demais sofrem com outros tipos de deficiência, como encefalopatias e microcefalia —, como dos serviços oferecidos, de 16 para atuais nove.

 

— Diante da crise, só nos resta manter os atendimentos que estamos conseguindo fazer com as doações e patrocínios que restaram — lamenta. — Infelizmente não temos como abrir novas vagas por total falta de condições financeiras para arcar com as despesas necessárias. O atendimento aos autistas não é algo que dá para fazer só com voluntários. Precisamos de profissionais treinados e qualificados para oferecer o serviço de excelência que com a experiência de anos nos fez de referência nesta área aqui no Rio.

FONTE: O Globo

Profissionais do norte do PR trazem novo tratamento para crianças com autismo

Método trazido por fonoaudióloga e terapeuta ocupacional utiliza estimulação precoce e intervenções naturais para ser eficaz no desenvolvimento da criança. (foto - Fábio Luporini/Divulgação)

Uma a cada 160 crianças no mundo sofre com o autismo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O transtorno, que atinge de forma grave o desenvolvimento e pode prejudicar a capacidade da criança se comunicar e interagir, ainda é envolto em tabu e de difícil diagnóstico. Quando mais cedo for identificado, melhor. Em Londrina, duas profissionais trouxeram o Modelo Denver de estimulação precoce e intervenções naturais, com tratamento lúdico, para garantir à criança eficácia no desenvolvimento.

A fonoaudióloga Eliane Guerra, da Clínica Santé (R. La Paz, 280. Fone: 43-3361-0840), e a terapeuta ocupacional Thaís Garcia são as primeiras profissionais a aplicarem o Modelo Denver em crianças autistas de Londrina e região, já com resultados satisfatórios. As duas foram buscar capacitação, em março deste ano, no Canadá, numa época em que pouco se falava do modelo no Brasil. O curso foi ministrado pelo formador brasileiro Thiago Lopes, PhD em psicologia do desenvolvimento e formador oficial do MIND Institute, ligado ao Centro de Excelência em Autismo, no Uc Davis MIND Institute, na Califórnia, nos Estados Unidos.  

“O Modelo Denver trabalha baseado no desenvolvimento natural da criança com autismo, com base no que é esperado para cada fase do desenvolvimento infantil, estimulando a criança naquilo que ainda está faltando”, explica Eliane Guerra, que atua com diversas crianças com o transtorno em Londrina e região. O modelo foi desenvolvido e aperfeiçoado depois de 20 anos de estudos e pesquisas da médica Sally Rogers e da psicóloga Geraldine Dawson.

Entre os aspectos a serem trabalhos, sempre de forma natural, obedecendo ao ciclo de desenvolvimento infantil, estão o suporte à socialização e a redução dos sintomas do autismo (além da dificuldade de interação, problemas na fala, na coordenação motora e outros cognitivos). “Criamos estratégias terapêuticas para que a criança consiga desenvolver o que ainda não desenvolveu, estimulando todo o processo de competências e habilidades”, ressalta Thaís Garcia.

 

Hoje as duas profissionais estão em fase de certificação do Modelo Denver. Atualmente existem apenas três no Paraná: uma em Curitiba e duas em Cascavel. Eliane e Thaís participaram de cursos e workshops intensos, um deles no Canadá porque até então o modelo havia sido muito pouco difundido no Brasil. O aprendizado foi grande: brincadeiras, estímulos, análises, observações cognitivas, entre outros aspectos, que as habilitaram a começar a aplicar as terapias baseadas no modelo em pacientes de Londrina e região. E agora, passam pelo processo de avaliação e validação do modelo, uma espécie de certificação.

FONTE: TN Online

 

Obesidade, desnutrição e mudanças climáticas formam triplo desafio para saúde global

Relatório da revista Lancet diz que enfrentamento deve se inspirar na luta contra o tabaco. 

Para enfrentar as pandemias causadas pela obesidade, desnutrição e mudanças climáticas, os governos devem conter os lobbies das grandes corporações e se unirem em torno de um tratado global semelhante ao que resultou no controle do tabaco.

É a conclusão de um novo relatório da revista médica The Lancet, que defende que os organismos internacionais comecem a tratar essa tripla pandemia, tida como o maior desafio para a saúde humana e ambiental deste século, como um problema único.

Os pesquisadores cunharam o termo “sindemia global” para definir as três pandemias, o que significa múltiplas doenças que interagem entre si e têm atores sociais comuns.

Quase um bilhão de pessoas no mundo passam fome ou estão desnutridas e outros dois bilhões têm sobrepeso ou obesidade em razão da má alimentação, o que contribui para doenças cardiovasculares, diabetes e câncer. Dietas não saudáveis ​​respondem por até 11 milhões de mortes prematuras todos os anos.

 

Segundo Boyd Swinburn, professor da Universidade de Aukland e co-presidente da comissão que elaborou o relatório da revista The Lancet, os efeitos da desnutrição e da obesidade devem se tornar significativamente piores com as mudanças climáticas.

Projeto da Federação Mundial de Obesidade retrata obesos em atividades do dia a dia, caminhando, esperando o ônibus, comendo frutas e trabalhando, em vez das fotos estigmatizadas com fast food e enquadramento na barriga /World Obesity Federation | Confira as demais fotos na reportagem da Folha de S. Paulo, link ao fim da matéria. 

“A maneira pela qual os alimentos são atualmente produzidos, distribuídos e consumidos não apenas alimenta as pandemias de fome e obesidade, mas também gera de 25% a 30% das emissões de gases de efeito estufa que aquecem o planeta”, explica Swinburn.

De acordo com o relatório, somente a produção de gado é responsável por mais da metade desses gases, na forma de flatulência carregada de metano, e de CO2, quando as florestas —especialmente no Brasil— são desmatadas para acomodar o gado.

Apesar dos 30 anos de alertas da ciência sobre os impactos do aquecimento global, as emissões de CO2 atingiram níveis recordes em 2017 e novamente no ano passado.

Um sistema de transporte dominado por carros também contribui com 15% a 25% das emissões e estimula um estilo de vida sedentário.

No entanto, não haverá mudanças a menos que os cidadãos comuns exijam um “repensar radical” da relação entre os formuladores de políticas públicas e os negócios, reforça o relatório assinado por 43 especialistas em pesquisa clínica, ciência climática e saúde pública.

“Poderosos conflitos de interesses, falta de liderança política e demanda social insuficiente por mudanças estão impedindo as ações”, escreveram os autores. Como todos esses problemas estão entrelaçados, as respostas devem ser também em conjunto, segundo os pesquisadores.

 

O relatório calcula os custos da inércia (em não lidar com essas questões) para a economia global. A obesidade traria gastos anuais para a saúde na ordem de US$ 2 trilhões (R$ 7,4 trilhões), além de perda de produtividade econômica —danos financeiros semelhantes aos causados ​pela violência armada e guerras.

Panamá: Ressacas e superpopulação forçam indígenas gunas a abandonar ilhas /Lalo de Almeida/Folhapress| Confira as demais fotos na reportagem da Folha de S. Paulo, link ao fim da matéria. 

Já a desnutrição estaria associada a uma redução de 11% dos PIBs da África e da Ásia. “A inação dos danos causados pelas mudanças climáticas irá eclipsar ambas as pandemias, custando entre 5% e 10% do PIB global”, estimam os autores.

Embora o relatório alerte para uma emergência global e devastadora, ele também descreve como o planejamento de políticas pode atacar os três pilares dessa sindemia global de uma só vez.

“Como o sistema alimentar globalizado causa um quinto das emissões de gases de efeito estufa e impulsiona a obesidade e a desnutrição, as reformas direcionadas poderiam mitigar todos os três problemas de uma só vez.”

Os especialistas argumentam que os incentivos econômicos devem ser reformulados. São estimados em cerca de US$ 5 trilhões (R$ 18,4 trilhões) os subsídios governamentais para combustíveis fósseis e agronegócios. Uma das propostas seria canalizar esses incentivos para “atividades sustentáveis, saudáveis ​​e ambientalmente amigáveis”.

Além do fim dos subsídios de produtos não saudáveis, o relatório sugere um tratado internacional envolvendo multinacionais de alimentos, nos mesmos moldes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da OMS (Organização Mundial de Saúde), de 2005.

 

“No caso do Brasil, temos a situação absurda de subsidiar a produção de refrigerantes na Zona Franca de Manaus. Isso exemplifica o lobby das mega corporações, que acabam sendo o maior obstáculo para implementação das políticas públicas efetivas para lidar com a má nutrição em todas as suas formas”, diz Paula Johns, diretora-geral da ACT Promoção da Saúde e que participou das discussões em torno do relatório, na Tailândia.

A estilista paulistana Ana Paula Massolin, 40, que enxergou nas redes sociais um espaço de ajuda mútua para enfrentar o diagnóstico de um câncer colorretal em 2013. "Na época queria saber se o meu cabelo ia cair, se ia passar mal, se tinha algo para aliviar os enjoos. Como tinha essas dúvidas, pensei que outras pessoas também teriam”, diz, que começou com um blog e hoje tem 33 mil seguidores no Instagram /Bruno Santos/Folhapress| Confira as demais fotos na reportagem da Folha de S. Paulo, link ao fim da matéria. 

Segundo Johns, no caso da alimentação, os danos acabam atingindo desproporcionalmente as populações mais vulneráveis. “Não é diferente das questões que envolvem o tabaco e o álcool. São problemas sistêmicos e todos criados e alimentados por pessoas, portanto, é possível mudar. Mas são necessárias vontade e liderança política.”

Nos lugares onde ocorreu alguma mudança positiva de políticas públicas regulatórias, explica ela, sempre tem alguma liderança por trás e grande mobilização da sociedade. O México, por exemplo, aumentou a maior tributação de bebidas açucaradas.

As reações às recomendações da revista The Lancet estão fortemente divididas. Especialistas em saúde pública e clima comemoram o seu apelo por mudanças profundas.

“Um sistema alimentar que garanta uma dieta melhor salvará milhões de vidas e, ao mesmo tempo, ajudará a salvar o planeta”, disse Katie Dain, CEO da Aliança de Doenças Não-Transmissíveis.

Já os representantes da indústria classificaram as recomendações como esgotadas e um ataque ao livre arbítrio. “Os fanáticos do ‘estado-babá’ não estão escondendo mais suas intenções de usar o projeto antitabaco para controlar outras áreas de nossas vidas”, disse Christopher Snowdon, chefe de economia do estilo de vida do Instituto de Assuntos Econômicos, com sede em Londres.

 

Para Paula Johns, existe uma crença de que a educação e as regras de mercado vão dar conta do problema. “Mas o que vemos é que mercados não são de fato livres e os subsídios são os melhores exemplos disso.”

FONTE: Folha de S. Paulo 

 

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